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Motor a combustão está com os dias contados lá fora: como fica o Brasil?

Na Europa e em alguns outros locais, veículos movidos por combustíveis fósseis serão banidos em um período de 10 anos

Alguns dos chamados petrolheads, aficionados por pistões, combustível e ronco do escapamento, já preparam a despedida: é que o motor a combustão tem data para morrer. Em países do exterior, em especial na Europa e em parte da Ásia, a expectativa de vida dele não passa de 10 anos. Consequentemente, muitos fabricantes, como os Grupos Stellantis, Ford, GM, Honda e Renault-Nissan-Mitsubishi, já anunciaram que só investirão em propulsão elétrica.


A situação é mais complexa, porém, em regiões menos desenvolvidas, como África, Sudeste Asiático e América Latina. Em tais locais, os consumidores têm menor poder aquisitivo e não há uma política de incentivos aos carros elétricos. É exatamente nessa situação que está o Brasil, onde os poucos modelos com esse tipo de propulsão têm preços muito elevados. E como fica o mercado nacional? O motor a combustão seguirá reinando por aqui?


Para responder a essas questões, o Blog da Just Proteção consultou especialistas, que fizeram previsões parecidas. Para eles, o Brasil vai demorar um pouco mais para aposentar o motor de combustão interna, mas a onda de eletrificação acabará chegando ao país. Inclusive aqui, a tendência é que os carros troquem as bombas de combustível pela eletricidade. Enquanto isso, outras fontes de energia também devem ter espaço.

Marcus Vinicius Aguiar, vice-presidente da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), explica que as medidas de priorização do desenvolvimento de tecnologias elétricas anunciadas por grande parte da indústria são imediatas e visam justamente os mercados mais desenvolvidos. Porém, ele acredita que, a médio prazo, os fabricantes voltem a investir em outros tipos de motopropulsão. Segundo ele:


Um mercado de 4 milhões de veículos (como o brasileiro) não é desprezível. Juntos, países da África e da Ásia consomem dezenas de milhões de veículos. Não vamos virar essa chave para os elétricos de uma hora para a outra.”

País grande e desigual

Outra questão levantada por Aguiar é que o Brasil é um país de dimensões continentais, o que dificulta a instalação de infraestrutura para veículos elétricos em nível nacional. Por outro lado, o engenheiro da AEA pontua que as grandes cidades, em especial nas regiões Sudeste e Sul do país, já contam com redes de postos de recarga: em São Paulo, a legislação municipal até determina a instalação deles em novos empreendimentos imobiliários.

O Brasil, na visão de Aguiar, não está muito atrás dos países desenvolvidos no que diz respeito à implantação dessa infraestrutura nos grandes centros urbanos. Para ele, algumas cidades brasileiras podem até ter zonas de circulação só para elétricos já nos próximos anos. Mas isso não implica na aposentadoria breve do motor a combustão: “não haverá, a curto prazo, uma estrutura para atravessar o país com um carro elétrico”, sintetiza.


Como é dirigir um carro elétrico pela primeira vez? Assista ao vídeo!

Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive, também aponta o tamanho do território nacional, bem como as diferenças socioeconômicas regionais, como entraves para um processo rápido de eletrificação da frota. Entretanto, ele destaca que o consumidor brasileiro gosta de novidades: tanto que, em segmentos premium, veículos elétricos e híbridos já estão obtendo participação significativa no mercado. O especialista em mercado diz:

Existirão nichos de mercado para diversos tipos de produtos, com diferentes sistemas de propulsão.”

Biocombustíveis devem dar sobrevida ao motor a combustão


Aguiar, da AEA, toca em outra questão chave para essa diversificação da propulsão veicular: “A Europa não tem uma matriz energética. E nós temos o etanol, os biocombustíveis e o pré-sal.”

Ele observa que essa estrutura não se tornará obsoleta enquanto os preços dos carros elétricos e a rede de recarga das baterias não forem amplamente acessíveis. E que, para se popularizarem, esses veículos dependem de um plano estratégica do Estado, com incentivos tanto para fabricantes quanto para consumidores.

Postos de recarga para elétricos já existem em algumas grandes cidades, mas implantação dessa rede em todo o país não ocorrerá em curto prazo

Por sua vez, Garbossa lembra que os grandes investimentos feitos pelas matrizes dos fabricantes inevitavelmente trazem reflexos para todos os países onde elas atuam. Ele esclarece que, mesmo na Europa, o motor a combustão ainda tem grande participação no mercado: por enquanto, os elétricos não são dominantes. Porém, à medida que for implementada uma estrutura de produção dessa tecnologia, ela tenderá a se popularizar.

O analista de mercado da ADK pondera que, não por acaso, vários outros países, como a Índia, estão investindo em combustível líquido renovável. Para ele, “etanol e biocombustíveis são, sim, boas alternativas”.


Vale lembrar que o álcool da cana pode ser utilizado não apenas em motores de explosão, como também para os elétricos: em vez de ser queimado, o combustível é utilizado quimicamente para extração de hidrogênio que, por sua vez, gerará energia. Isso sem falar na célula de hidrogênio, tecnologia na qual vários fabricantes também apostam.


Híbridos também têm motor a combustão

Enquanto os carros elétricos não se popularizam e uma rede nacional de recarga não é implantada, o motor a combustão seguirá no Brasil como tecnologia obsoleta? Será um dinossauro com uma pequena sobrevida após um apocalipse elétrico? Na opinião de Aguiar, esse futuro não é tão obscuro assim.

O engenheiro da AEA salienta que carros híbridos também são equipados com o motor a combustão. E que, naturalmente, esses modelos seguirão evoluindo nos próximos anos, inclusive no que diz respeito ao conjunto mecânico. Propulsores mais eficientes, que sofrem menores perdas de energia mecânica, capazes de rodar com etanol ou biocombustíveis, em conjunto com baterias e unidades elétricas já são desenvolvidos pela indústria.

Sem um prazo tão apertado para eletrificar a frota e com outras alternativas em mãos, além de um enorme mercado consumidor, países menos desenvolvidos podem, inclusive, receber investimentos das matrizes.


Aguiar cita como exemplo a Volkswagen, que nos próximos anos passará a vender unicamente carros elétricos na Europa: apesar disso, a multinacional alemã anunciou recentemente que pretende transformar o Brasil em um polo de desenvolvimento do motor a combustão.

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